Apareceu uma mancha vermelha no bôfe das costas, no calcanhar ou no bumbum de quem passa o dia na cama ou na cadeira. Ela não some quando você muda a pessoa de posição. Esse é o começo de uma escara — e o começo é a única hora em que ela ainda é fácil.
Escara é o nome popular. O nome técnico é lesão por pressão, e você também vai encontrar como úlcera de pressão ou úlcera de decúbito. São a mesma coisa.
O mecanismo é simples e por isso mesmo cruel: o peso do próprio corpo comprime a pele contra o osso. Onde há pressão contínua, o sangue não passa. Sem sangue, o tecido começa a morrer — e começa a morrer de dentro para fora, muitas vezes antes de a pele abrir.
Por isso duas coisas enganam quem cuida: a lesão pode ser bem maior por baixo do que aparenta na superfície, e ela pode se instalar em poucas horas de imobilidade, não em semanas.
Escara não é sinal de descuido de quem cuida. Ela aparece mesmo com cuidado dedicado, porque depende de circulação, nutrição, umidade e tempo de pressão — e nem tudo isso está sob controle da família.
Este é o teste que vale a pena aprender, porque ele identifica a escara no estágio em que ainda não há ferida:
Pressione a mancha vermelha com o dedo por alguns segundos e solte. Pele saudável fica branca sob o dedo e volta a corar. Se a área continua vermelha mesmo sob a pressão do dedo, o dano já começou.
Em pele mais escura a vermelhidão pode não ser visível. Aí os sinais são outros: a área fica mais quente ou mais fria que a pele em volta, mais firme ou mais mole, com cor arroxeada, e a pessoa reclama de dor ali.
Ainda não há ferida aberta. É o único estágio que costuma reverter só com alívio de pressão e cuidado de pele.
A pele abre e aparece uma lesão rasa, rosada e úmida, ou uma bolha. Já exige cobertura adequada e reavaliação.
A ferida atinge toda a espessura da pele e a gordura fica visível. Pode haver tecido morto e a lesão costuma cavar por baixo das bordas.
Músculo, tendão ou osso ficam expostos. É o estágio de maior risco de infecção grave e o que mais demora.
Existem ainda duas situações que não recebem número porque não dá para medir a profundidade: quando a ferida está coberta por tecido morto (e só se sabe o estágio depois de removê-lo) e quando o dano começou no tecido profundo, aparecendo como uma área arroxeada sob pele ainda fechada.
Sempre onde o osso fica perto da pele, e muda conforme a posição em que a pessoa passa mais tempo:
Calcanhar merece atenção extra: é um dos locais mais frequentes e um dos menos olhados, porque fica coberto pelo lençol.
Esta é a parte que mais custa tempo às famílias. A causa da escara é pressão. Enquanto a pressão continuar no mesmo ponto, nenhuma cobertura, pomada ou receita caseira faz a ferida fechar — ela pode até melhorar de aspecto por alguns dias e voltar pior.
Tratar escara é sempre duas coisas ao mesmo tempo: cuidar da ferida e tirar a pressão dali. Uma sem a outra não funciona.
Não use na ferida: açúcar, café, pasta de dente, óleo de cozinha, mertiolate ou água oxigenada. São receitas que circulam muito entre cuidadores e todas atrapalham a cicatrização ou queimam o tecido novo.
Um cuidado ao virar: arrastar em vez de levantar raspa a pele contra o lençol e cria a lesão por atrito. Erguer, mesmo que dê mais trabalho, protege.
E há sinais que pedem avaliação imediata, porque sugerem infecção: odor forte, secreção que aumenta ou muda de cor, vermelhidão e calor se espalhando pela pele em volta, dor que piora, febre ou confusão mental em quem estava bem.
A consulta classifica o estágio, mede a lesão, avalia o leito da ferida e a pele em volta, e verifica o que está por trás: mobilidade, superfície de apoio, controle de umidade, estado nutricional e circulação. Sem medida inicial não há como saber depois se a ferida está fechando ou avançando.
A partir daí se define a cobertura adequada ao estágio, o intervalo de troca e o plano de alívio de pressão — que é a parte que a família executa. Parte dos casos exige conduta médica, e aí o trabalho é conjunto.
Descreva a situação pelo WhatsApp com a maior riqueza de detalhe que conseguir — há quanto tempo apareceu, onde, se a pele abriu, se a pessoa anda ou fica sentada. A equipe orienta como se dá o atendimento no caso de paciente acamado.
Dra. Mirna Fontenele é enfermeira estomaterapeuta, com 22 anos de prática clínica no cuidado de lesões.
Tem doutorado em Promoção da Saúde pela UFC, com doutorado sanduíche na University of Florida, e especialização em Estomaterapia e em Ozonioterapia.
Dirige o Consultório de Enfermagem no Tratamento de Lesões, em Juazeiro do Norte. O perfil do consultório no Google reúne 62 avaliações com nota 5,0.
O atendimento acontece no Unique Business, na Rua Francisco Cândido Magalhães, 40, Sala 309, 3º andar, Triângulo, Juazeiro do Norte, somente com hora marcada. Veja o mapa e os horários.
Veja também o que faz uma enfermeira estomaterapeuta e como funciona a cicatrização de feridas crônicas.
Descreva o caso pelo WhatsApp e a equipe orienta o próximo passo.
Falar no WhatsAppDra. Mirna Fontenele · Consultório de Enfermagem no Tratamento de Lesões · Juazeiro do Norte, Ceará. Atendimento com hora marcada pelo (85) 99751-2696.
Conteúdo informativo. Não substitui avaliação presencial: cada cicatriz tem uma história e a conduta é definida caso a caso.
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