Furou a orelha há meses, já tinha esquecido, e agora tem um nódulo firme no lóbulo que só cresce. Não some sozinho, e apertar ou fazer receita caseira costuma piorar.
O queloide é a cicatriz que cresce além dos limites da ferida original. Na orelha ele começa pequeno, no ponto exato do furo, e vai virando uma bolinha firme que às vezes fica maior que o próprio brinco.
A orelha está entre os locais onde o queloide mais aparece, junto com o ombro, o meio do peito e a parte alta das costas. E o motivo é simples: quase todo mundo fura a orelha, e o furo é exatamente aquilo que dispara o processo em quem tem predisposição — um trauma na pele.
Some a isso o perfil de quem mais fura: a formação de queloide é mais frequente entre 10 e 30 anos. É a mesma faixa que faz o primeiro furo, o segundo, a cartilagem, o piercing.
Furo de orelha, piercing na cartilagem, acne, tatuagem, queimadura, cirurgia: qualquer trauma de pele pode disparar um queloide em quem tem predisposição. Histórico familiar e queloide anterior são os sinais que mais pesam.
Raramente é logo em seguida. A literatura descreve formação a partir de um a três meses depois do trauma, podendo surgir até cerca de um ano depois. É por isso que tanta gente não liga uma coisa à outra: quando o caroço fica visível, o furo já é história antiga.
Existem outras causas para um nódulo no lóbulo depois do piercing — reação inflamatória ao redor do furo, infecção local, e outras lesões de pele que também formam volume. Cada uma delas tem tempo de evolução e comportamento próprios.
Essa diferença importa porque a conduta muda. O que resolve uma inflamação não resolve um queloide, e o contrário também vale. A avaliação existe justamente para não tratar a coisa errada por meses.
Essa é a parte que surpreende quem já tentou. Retirar a lesão cirurgicamente sem tratamento associado tem taxa de recidiva relatada na literatura entre 45% e 100% — porque o corte para retirar o queloide é, ele mesmo, um novo trauma na pele que já provou ter tendência a formar queloide.
Por isso a conduta cirúrgica, quando indicada pelo médico, costuma vir acompanhada de medidas complementares. Nos queloides de lóbulo, por exemplo, o uso de compressão na região depois do procedimento é recomendado com frequência como adjuvante para reduzir o risco de retorno.
A leitura prática: o cuidado não termina quando a lesão sai. Ele continua nos meses seguintes, e é justamente esse acompanhamento que costuma ser abandonado.
Um ponto que vale dizer com todas as letras: não tente estourar, apertar, amarrar linha nem passar produto por conta própria. Tudo isso é trauma novo na mesma pele.
A consulta registra o tempo de evolução, o tamanho, a consistência e os sintomas da lesão, além do histórico de cicatrização — se já houve queloide antes, onde, e o que foi feito. Sem essa medida inicial, não há como saber depois se a lesão está estável ou avançando.
A partir daí se define a conduta e o intervalo de acompanhamento. Parte dos casos segue com abordagem conservadora; parte precisa de conduta médica, e aí o trabalho é conjunto — a decisão de operar é do médico e é tomada caso a caso.
Dra. Mirna Fontenele é enfermeira estomaterapeuta, com 22 anos de prática clínica no cuidado de lesões.
Tem doutorado em Promoção da Saúde pela UFC, com doutorado sanduíche na University of Florida, e especialização em Estomaterapia e em Ozonioterapia.
Dirige o Consultório de Enfermagem no Tratamento de Lesões, em Juazeiro do Norte. O perfil do consultório no Google reúne 62 avaliações com nota 5,0.
O atendimento acontece no Unique Business, na Rua Francisco Cândido Magalhães, 40, Sala 309, 3º andar, Triângulo, Juazeiro do Norte, somente com hora marcada. Veja o mapa e os horários.
Operou recentemente e quer proteger a cicatriz desde o começo? Veja o acompanhamento pós-operatório. Se a dúvida é sobre uma cicatriz de cirurgia, veja queloide em cicatriz; se é a cicatriz da cesárea, veja queloide na cesárea. E se ela ficou alta mas dentro da linha do corte, o assunto é cicatriz hipertrófica.
Descreva o caso pelo WhatsApp e a equipe orienta o próximo passo.
Falar no WhatsAppDra. Mirna Fontenele · Consultório de Enfermagem no Tratamento de Lesões · Juazeiro do Norte, Ceará. Atendimento com hora marcada pelo (85) 99751-2696.
Conteúdo informativo. Não substitui avaliação presencial: cada cicatriz tem uma história e a conduta é definida caso a caso.
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